Os Meyerowitz: Família Não Se Escolhe | Elenco é a força do longa





Os Meyerowitz: Família Não Se Escolhe (The Meyerowitz Stories: New and Selected) EUA, 2017 

Elenco: Adam Sandler , Dustin Hoffman , Elizabeth Marvel , Ben Stiller  , Grace Van Patten , Danny Flaherty , Adam David Thompson , Michael Chernus , Rebecca Miller , Candice Bergen , Adam Driver , Sigourney Weaver , Emma Thompson , Judd Hirsch

Direção: Noah Baumbach

🎬 :★★★

No começo, o novo filme de Noah Baumbach não se decide, não sabe se tenta emular (desastrosamente) "Os Excêntricos Tenenbaums" de Wes Anderson ou se inspira em qualquer filme do Woody Allen. Depois de meia hora, o diretor decide finalmente, se inspirar em Allen, mas, mesmo assim, a sensação é a de que o diretor não assume a homenagem e, em diversos mementos, parece até que sente "vergonha" ao fazê-lo. Em meio a isso, vemos no começo da projeção intelectuais de meia idade em crise existencial, os longos planos, as famosas guerras de ego, diálogos carregados de humor onde personagens brigam por atenção e uma Nova York ao fundo servindo de divã para todos eles. 


Pronto. Todas as cartas estão na mesa, hora de jogar:



A trama conta a história da problemática família Meyerowitz, quando Danny (Adam Sandler) retorna para casa de seu pai Harold Meyerowitz (Dustin Hoffman) e sua madrasta Maureen (Emma Thompson), após seu divórcio. Danny é um pianista que abandonou a carreira e se dedicou integralmente aos cuidados da filha Eliza (Grace Van Patten), que agora aos 18 anos se mostra completamente independente de seu pai. Contudo, além de Danny, o clã Meyerowitz conta com a irmã , Jean (Elizabeth Marvel) e seu meio irmão mais novo Matthew (Ben Stiller). Harold é um escultor de Nova York que nunca se tornou famoso como ele acreditava que ele merecia. Agora, em seu quarto casamento, o amargo e egoísta Harold mantém uma estranha relação com seus filhos, exacerbando o sentimento de fracasso de Danny e ignorando Jean a tal ponto em que ela quase não se sinta como membro da família. O verdadeiro afeto de Harold parece estar concentrado em seu filho mais novo, Matthew , que é um gerente de negócios rico em Los Angeles e, que, ignora o pai e os irmãos a maioria das vezes.


Em meio a esse caos familiar e um roteiro bem raso, o filme se sustenta graças ao talentoso elenco formado por Dustin Hoffman, Elizabeth Marvel, Emma Thompson, Ben Stiller e Adam Sandler que, entregam ótimas atuações no drama familiar, é um filme feito para o elenco brilhar. Dustin Hoffman está excelente como o patriarca Harold Meyerowitz, mas, a surpresa é Adam Sandler, cujo o talento, já havia mostrando em filmes como; Afinado no Amor, Embriagado de Amor, Como Se Fosse a Primeira Vez e Reine sobre Mim. Esses quatro longas são o bastante para nos lembrar de que o talento de Sandler vai muito além desse infantilismo cômico que lhe rendeu sucesso ao longo dos anos. É uma pena que esse Sandler de “Os Meyerowitz” fique tão escondido em meio a tantos filmes ruins em sua carreira. Aqui, Adam interpreta um cara comum, embora frustrado. E quando ele tem seu momento, é de se levar as lágrimas. Seu Danny é um bom pai, mas um filho visivelmente frustrado com a família, um cara real, com problemas reais e alguma experiência de vida que o faz um bom ouvinte. Existe certa ternura em seu trabalho e, é incrível que Baumbach, tenha escrito um personagem tão bom para Sandler, um papel tão completo, coisa rara para atores como ele.


As cenas com Stiller e Sandler são muito engraçadas e muito intensas, na hora do drama, os dois entregam um bom serviço. Os irmãos são incapazes de se soltar do pai recluso e narcisista, no final, amam-se de má vontade. Há alguns anos, Stiller tem apostado em projetos mais adultos, espero que Sandler trilhe um caminho parecido. Noah Baumbach tenta oferecer uma nova visão sobre a classe média de Manhattan e suas relações fraternas com um olhar sereno sobre seus personagens, nunca sendo cruel ou auto-indulgente com eles. A ideia é interessante, mas seu roteiro não ajuda muito, o filme adota um tom literário, rompendo sua narrativa em capítulos distintos que se concentram em diferentes membros da família. Tenta ser um Woddy Allen, mas não tem a mesma força. A força do filme não reside em seu roteiro e, sim, em seu elenco que, entendeu a proposta do diretor.




Talvez, a qualidade mais romântica do filme é a delimitação perceptiva de cada personagem, reconhecendo como dois membros do clã Meyerowitz têm o mesmo relacionamento. Como Danny seguiu os passos de seu pai, tentando ser um artista (e ele é o filho mais velho) seria razoável que ele fosse o orgulho e a alegria de Harold, mas, assim como o pai, Danny não obteve sucesso em sua profissão, logo é massacrado pelo pai. Baumbach examina precisamente por que Harold tem sido tão desdenhoso por Danny, ao se orgulhar do talento comercial de Mathew para seus amigos. O velho ditado de Tolstoi sobre as famílias infelizes sendo infeliz a seu modo é particularmente verdadeiro em “Os Meyerowitz”, pois os personagens tentam chegar ao núcleo do que os tornou tão miseráveis, especialmente depois que a saúde de Harold se deteriora inesperadamente.


É uma pena que Baumbach não dê mais tempo de tela às histórias das mulheres, particularmente a revelação de infância da irmã Jean, que é silenciosamente devastadora e não se decida em sua narrativa. Se por um lado, fica aquela sensação de incômodo ( o filme seria sensacional, caso o roteiro fosse mais bem trabalhado e tivesse decido ser 100% uma homenagem a Allen ), por outro, ao final da projeção, o resultado é positivo graças a força de seu elenco. Os personagens de Adam Sandler, Ben Stiller, Dustin Hoffman e Emma Thompson parecem saídos de um filme "woodyalleniano" para um divã psiquiátrico em uma sala ao lado, somente para evidenciar de que eles são, na verdade, uma cópia imperfeita dos filmes do lendário diretor nova-iorquino .

E só esse choque de realidade, já vale a pena.

Os Meyerowitz: Família Não Se Escolhe (The Meyerowitz Stories: New and Selected) já está disponível na Netflix.

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1 Comentários

  1. Adorei! Eu adoro ver Adam Driver participando de filmes, sigo muito o trabalho deste ator, sempre me deixa impressionada em cada nova produção. Eu o vi recentemente em Lucky Logan Roubo em Família, você viu? A participação do ator foi fundamental. Adorei, pessoalmente eu acho que é um dos top filmes comedia que nos prende. A historia está bem estruturada, o final é o melhor! Sem dúvida a veria novamente, se ainda não tiveram a oportunidade de vê-lo, eu recomendo. Cuida todos os detalhes e como resultado é uma grande produção.

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