Crítica | Procura-se Amy


Procura-se Amy
Chasing Amy
Roteiro: Kevin Smith,David Pirner
Dirigido por Kevin Smith. Com: Ben Affleck, Joey Lauren Adams, Jason Lee, Dwight Ewell, Jason Mewes, Kevin Smith, Carmen Lee, Matt Damon, Tony Torn.
ano:1997

Esse, foi um dos filmes que mais me marcou na década de 90(claro a um tropeço aqui outro ali,mas nada de mais).Conhecer esse trabalho do diretor Kevin Smith,Foi muito bom quando tinha 17 anos de idade.Decidi assistir novamente para ver se o filme envelheceu bem...e digo uma coisa :Ele nunca foi tão atual.Na crítica abaixo vc confere pq,considero Procura-se Amy um dos melhores filmes dos anos 90.

Não é difícil perceber quando um filme foi feito com carinho. Procura-se Amy é um exemplo claro disso. O assunto ali abordado é muito importante para o diretor/roteirista Smith (uma das grandes promessas que surgiram recentemente através do cinema independente na década de 90). Para começar, a protagonista deste filme (que gira em torno das dificuldades dos relacionamentos amorosos) é a namorada do diretor. `Não é segredo que as origens de Procura-se Amy residem em meu relacionamento com Joey.`, declara Smith sobre o filme. Preciso dizer mais alguma coisa?

No filme, Ben Affleck interpreta Holden McNeil, desenhista responsável por uma série de quadrinhos de relativo sucesso. Morando com seu amigo e sócio Banky, Holden conhece Alyssa, uma garota lésbica pela qual acaba se apaixonando. As dificuldades deste relacionamento acabam influenciando a vida dos três.

Com conteúdo e sensibilidade até então insuspeitadas em sua carreira, Kevin Smith construiu uma comédia romântica focada 100% no roteiro e nos atores, oferecendo belas análises sobre o comportamento e os relacionamentos humanos, tanto em termos de amor quanto amizade. O cuidado com o texto e o desenvolvimento dos personagens eleva o filme da categoria de mera comédia bem escrita, fazendo de Procura-se Amy uma obra de conteúdo e inteligência.

Como não poderia deixar de ser, o forte do filme são os diálogos concebidos por Smith. Seja nos momentos bem-humorados (como na teoria sobre a relação entre Star Wars e o negro) ou nas cenas mais sérias (a discussão entre Holden e Alyssa fora do estádio de hóquei), as falas ditas pelos personagens mantém-se em alto nível, versando sobre temas diversos como cinema, quadrinhos, relacionamentos, escolhas e sexo, muito sexo. Aliás, este último assunto é tão constante e tratado de maneira tão liberal pelo roteiro, inclusive com discussões abertas sobre lesbianismo e penetração, que pode até chocar os mais puristas. Mas é inegável: a abordagem de Smith a todos estes temas é sempre original, jamais se rendendo a clichês.

Da mesma forma, o cineasta/roteirista demonstra naturalidade ao transitar em um território conhecido. Cercado por cultura pop (Smith é, ele próprio, um viciado em cinema e quadrinhos) e tendo como base para a trama um próprio relacionamento seu, Smith desenvolveu uma história bastante realista, com personagens inseguros, inexperientes e cheios de dúvidas. É fácil acreditar no que acontece em Procura-se Amy e mais fácil ainda entender os motivos das atitudes dos personagens, mesmo que elas sejam erradas.

Aliás, não é de se espantar que a única cena que realmente `fala ao coração` é aquela protagonizada pelo próprio Kevin Smith. Ela acontece na lanchonete, quando Jay e Silent Bob (dois personagens que aparecem em todos os filmes de Smith) conversam com Holden. O monólogo de Silent Bob (Smith) sobre Amy (explicando, inclusive, a razão do título do filme) é absolutamente comovente e divertido ao mesmo tempo.

Apesar do tema sério, inclusive com pertinentes verificações sobre o preconceito (a cena no qual Alyssa diz para Holden porque se tornou lésbica é maravilhosamente escrita), o bom humor e talento de Smith para piadas evita que Procura-se Amy se torne um filme pesado.
A grande maioria das seqüências divertidas é protagonizada por Jason Lee, que só não rouba a cena como Banky porque o resto do elenco se sai bem. Ben Affleck, por exemplo, entrega aqui um bom trabalho, bastante crível e eficiente, conseguindo transmitir as dúvidas de seu personagem .

Indiscutível, porém, que o grande destaque do elenco de Procura-se Amy é Joey Lauren Adams. Com uma apaixonada dedicação à personagem, a atriz constrói Alyssa como uma pessoa complexa, aproveitando-se do roteiro para fugir de qualquer estereótipo em sua composição. As cenas protagonizadas por Adams são brilhantes; mesmo com seu passado, Alyssa é a personagem mais madura do filme, vide a lição dada em Holden como resposta à proposta dele ao final.

Ainda que perca o ritmo em alguns momentos (Smith é muito mais roteirista do que diretor), Procura-se Amy é um filme inteligente e sempre interessante. Sente-se, na tela, a paixão do cineasta por seus personagens e de todos pelo projeto. Kevin Smith, a exemplo de Quentin Tarantino e Robert Rodriguez, parece se divertir fazendo cinema, fato que fica impresso no resultado final. Não é o melhor filme do cineasta (ainda prefiro O Balconista e Dogma), mas é sua obra mais madura e sensível. Merece uma olhada.

🎬 :★★★







Observação: preste atenção no jovem executivo que está sentado em cima de uma mesa na cena em que Holden e Banky recebem a proposta de transformarem seus personagens de quadrinhos em personagens de desenho animado: o jovem em questão é ninguém menos que Matt Damon, amigo de Affleck.

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2 Comentários

  1. Eu daria uma nota maior, o filme é de uma discrição perfeita do pensamento masculino!

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  2. Obrigado pelo comentário Alex Jordan.Concordo com você quando diz: "o filme é de uma discrição perfeita do pensamento masculino! ",mas dei a nota pensando também em sua qualidade técnica.O roteiro é belíssimo,mas o diretor erra aqui e ali.Procura-se Amy ainda é um dos meus filmes preferidos.

    Abraço.

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